Detecção de gases
Gases em espaço confinado: O2, LIE, CO e H2S e seus limites
Antes de entrar em espaço confinado, meça oxigênio, gases inflamáveis (LIE) e tóxicos como CO e H₂S. A NR 33 aceita oxigênio de 19,5% a 23%, se a causa da variação for conhecida e controlada, e o modelo de PET pede LIE abaixo de 10%. Pela NR 15, o limite é 39 ppm para CO e 8 ppm para H₂S. A medição continua durante o trabalho.
Quais gases medir em espaço confinado
A NR 33 define atmosfera perigosa por três situações (item 33.2.2.1): deficiência ou enriquecimento de oxigênio, contaminantes com potencial de causar danos à saúde e atmosfera explosiva. Cada uma pede um sensor diferente, por isso o detector padrão tem quatro sensores:
- Oxigênio (O₂): sensor eletroquímico. Mostra falta ou excesso de oxigênio.
- Gases inflamáveis (LIE, ou LEL em inglês): sensor catalítico ou infravermelho. Mostra quanto da mistura inflamável já existe, como metano (CH₄).
- Monóxido de carbono (CO): sensor eletroquímico. O gás é incolor e inodoro.
- Sulfeto de hidrogênio (H₂S): sensor eletroquímico. Também chamado de gás sulfídrico, é comum em esgoto e tanques.
Se o serviço puder gerar outros contaminantes, como vapores de solvente ou poeiras, o responsável técnico deve prever a medição específica no gerenciamento de riscos e na PET. Os quatro gases são o mínimo mais comum, não uma lista fechada.
Ordem de medição: oxigênio, LIE e tóxicos
O Anexo II da NR 33 (modelo de PET) lista o teste inicial nesta sequência: oxigênio, inflamáveis e, por fim, gases e vapores tóxicos. A norma brasileira não escreve a ordem como regra no corpo do texto. Como referência, a norma americana OSHA 29 CFR 1926.1204 manda testar primeiro o oxigênio, depois os gases e vapores combustíveis e depois os tóxicos.
O oxigênio vem primeiro porque a falta dele já é motivo para não entrar, e porque o excesso aumenta o risco de fogo.
Tabela de limites: O2, LIE, CO e H2S
Os valores abaixo vêm da NR 33, da NR 15 (Anexo 11) e do NIOSH, dos Estados Unidos. Os valores do NIOSH não são lei brasileira, servem de referência técnica para saber quando a situação é grave:
| Gás | Limite para trabalhar | Referência de perigo imediato (IPVS/IDLH) |
|---|---|---|
| Oxigênio (O₂) | 20,9% é o ideal. De 19,5% a 23% é aceitável se a causa da redução ou do enriquecimento for conhecida e controlada (NR 33, item 33.5.15.2) | Abaixo de 18% é risco grave e iminente para asfixiantes simples (NR 15, Anexo 11). A norma não traz um número de O₂ como IPVS |
| Inflamáveis (LIE) | Abaixo de 10% do LIE após a ventilação (modelo de PET, Anexo II da NR 33) | A norma não traz um número de IPVS para inflamáveis. O limite prático de entrada é o de 10% do LIE |
| Monóxido de carbono (CO) | 39 ppm (43 mg/m³), para jornada de até 48 horas por semana (NR 15, Anexo 11, Quadro 1) | 1.200 ppm (NIOSH) |
| Sulfeto de hidrogênio (H₂S) | 8 ppm (12 mg/m³), para jornada de até 48 horas por semana (NR 15, Anexo 11, Quadro 1) | 100 ppm (NIOSH) |
Fonte: NR 33 (Portaria MTP 1.690/2022); NR 15, Anexo 11 (versão atualizada 2025); NIOSH Pocket Guide to Chemical Hazards (CO e H2S). Acesso em 03/11/2026.
Alarmes do detector: o que ajustar
A NR 33 não fixa o valor de alarme do detector. Os fabricantes trazem ajustes de fábrica que variam: é comum encontrar alarme de oxigênio em 19,5% (baixo) e 23% ou 23,5% (alto), e de LIE em 10% (baixo) e 20% (alto). Para CO e H₂S, o ajuste muda conforme o fabricante e o modelo.
O Guia Técnico do MTE (2013) orienta ajustar os alarmes de CO e H₂S para o limite de tolerância ou para o nível de ação, que é metade do limite de tolerância. Confira sempre o manual do modelo e defina os alarmes no procedimento da empresa.
O que é atmosfera IPVS
A NR 33 define atmosfera IPVS (Imediatamente Perigosa à Vida ou à Saúde) como qualquer atmosfera que apresente risco imediato à vida ou produza efeito debilitante imediato à saúde. Ela pode vir de alta concentração de contaminantes ou de deficiência de oxigênio.
O acesso a um espaço com atmosfera IPVS só é permitido com máscara autônoma de demanda com pressão positiva ou com respirador de linha de ar comprimido com cilindro auxiliar para escape (item 33.5.17.2). O Guia Técnico do MTE proíbe respiradores purificadores de ar (filtrantes) em IPVS. Veja as opções de proteção respiratória.
Monitoramento contínuo durante o trabalho
A medição inicial não basta. A NR 33 exige monitoramento contínuo da atmosfera durante a permanência no espaço, remoto ou presencial (item 33.5.15.3). A norma também proíbe a entrada sem avaliação prévia e sem monitoramento contínuo (item 33.7.1). A atmosfera pode mudar quando o serviço remexe resíduo, abre uma linha, aquece uma superfície ou quando a ventilação para.
Pelo item 33.5.15.4, o instrumento de avaliação deve ter leitura instantânea, ser intrinsecamente seguro, suportar interferência de radiofrequência (10 V/m), ter alarmes sonoro, visual e vibratório ao mesmo tempo, grau de proteção IP adequado e manual em português.
- Se o alarme disparar, todos saem do espaço e a entrada só volta depois de investigar a causa.
- Ventile antes e durante o trabalho. Veja ventilação em espaço confinado.
- Mantenha o detector com teste de resposta diário e calibração em dia. Veja calibração e bump test.
- Em área classificada, use detector intrinsecamente seguro e equipamentos certificados. Veja equipamentos Ex.
Detector de 4 gases: alugar ou comprar
A Ledger tem detectores de 4 gases (CH₄/LIE, CO, O₂ e H₂S) para locação e venda. O Detector Gaspro 4 Gases tem operação por um único botão, alarme sonoro e visual e bateria de íon de lítio com até 14 horas de autonomia. O Detector GX-8000 tem classificação IP-67 e bateria de 20 horas. Os dois saem avulsos ou em kit com carregador.
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Perguntas frequentes
Qual o percentual de oxigênio seguro para entrar em espaço confinado?
O ideal é 20,9%. A NR 33 aceita de 19,5% a 23%, desde que a causa da redução ou do enriquecimento do oxigênio seja conhecida e controlada.
Qual o limite de LIE para entrar em espaço confinado?
O modelo de PET da NR 33 (Anexo II) considera aceitável LIE abaixo de 10% após a ventilação. Qualquer leitura acima disso pede ventilação e nova medição antes de entrar.
Qual o limite de CO e H2S na NR 15?
No Anexo 11 da NR 15, o limite de tolerância é 39 ppm para o monóxido de carbono e 8 ppm para o sulfeto de hidrogênio, para jornadas de até 48 horas por semana. Há proposta de revisão em consulta pública, então confira a versão vigente.
O que é atmosfera IPVS?
É a atmosfera que apresenta risco imediato à vida ou efeito debilitante imediato à saúde. Para entrar, a NR 33 exige máscara autônoma de pressão positiva ou respirador de linha de ar com cilindro auxiliar de escape.
Qual a ordem para medir os gases em espaço confinado?
O modelo de PET da NR 33 lista oxigênio, inflamáveis (LIE) e depois gases tóxicos. A medição é feita imediatamente antes da entrada, com o supervisor fora do espaço, e continua durante todo o trabalho.
O detector de gases precisa ser intrinsecamente seguro?
Sim. O item 33.5.15.4 da NR 33 exige que o equipamento de avaliação atmosférica seja intrinsecamente seguro.
- NR 33 (redação da Portaria MTP nº 1.690/2022), Ministério do Trabalho e Emprego
- NR 15 atualizada 2025, Anexo 11, Ministério do Trabalho e Emprego
- Guia Técnico da NR 33 (MTE, 2013)
- NIOSH Pocket Guide: monóxido de carbono
- NIOSH Pocket Guide: sulfeto de hidrogênio
- OSHA 29 CFR 1926.1204, ordem de testes da atmosfera
- Consulta pública dos anexos da NR 15




