Resgate
Resgate em espaço confinado: plano, equipe e equipamentos
A NR 33 exige plano de resgate elaborado pelo responsável técnico, com equipe de emergência e salvamento designada, tempo de resposta definido, equipamentos que reduzam o tempo de suspensão inerte do trabalhador e simulado anual de salvamento. O vigia não entra para resgatar: ele aciona a equipe e opera os movimentadores de pessoas. Na entrada vertical, o conjunto básico é tripé, guincho ou polias, cinto paraquedista e corda.
O que a NR 33 exige sobre resgate em espaço confinado
Em espaço confinado, o resgate precisa estar pensado antes da entrada, não depois do acidente. A NR 33 (redação da Portaria MTP nº 1.690/2022) trata do tema em três pontos: o plano de resgate, a equipe de emergência e salvamento e o simulado anual.
- Plano de resgate (itens 33.5.20 e 33.3.2): elaborado pelo responsável técnico da organização que faz o trabalho e articulado com o plano de emergência de quem possui o espaço.
- Equipe de emergência e salvamento: pode ser interna ou externa, e deve ser dimensionada conforme a geometria, os acessos e os riscos do espaço.
- Simulado anual de salvamento (item 33.3.6): deve contemplar os possíveis cenários de acidente. Participam os integrantes da equipe de emergência.
- Capacitação: a equipe de emergência e salvamento faz 24 ou 32 horas, conforme o plano de emergência e o nível profissional do resgatista, com reciclagem a cada 2 anos.
O que o plano de resgate precisa ter
O item 33.5.20.2 lista o conteúdo mínimo do plano. Em linguagem direta:
- Os perigos associados ao resgate, além dos perigos do próprio serviço.
- A equipe de emergência e salvamento designada, interna ou externa.
- O tempo de resposta: quanto tempo a equipe leva para começar a atuar.
- As técnicas, os equipamentos pessoais e coletivos e o sistema de resgate escolhidos para reduzir o tempo de suspensão inerte do trabalhador e a exposição aos perigos.
- A previsão de simulados dos cenários identificados.
Suspensão inerte é quando a pessoa fica pendurada no cinto sem reagir. É um risco por si só, por isso o plano deve privilegiar sistemas que tirem a vítima do espaço rapidamente.
Resgate sem entrada e resgate com entrada
O Guia Técnico da NR 33, publicado pelo MTE em 2013, descreve três formas de resgate. O guia comenta a redação antiga da norma, então vale como boa prática, não como exigência legal:
- Auto-resgate: o próprio trabalhador sai do espaço ao perceber o perigo.
- Resgate externo, sem entrada: feito de fora, pelo vigia, usando os movimentadores de pessoas (tripé com guincho ou polias).
- Resgate assistido, com entrada: uma equipe capacitada entra no espaço para retirar a vítima, com proteção respiratória adequada.
A preferência é sempre pelo que não obriga mais ninguém a entrar. Cada pessoa a mais dentro do espaço é mais uma pessoa exposta ao mesmo perigo que atingiu a primeira.
Equipe de resgate e proteção respiratória
O modelo de PET (Anexo II da NR 33) lista, para a equipe de resgate, equipamento de proteção respiratória autônomo ou sistema de ar mandado com cilindro de escape. Também lista cinturão e linhas de vida para trabalhadores autorizados e equipe de resgate, equipamentos de movimentação vertical, comunicação eletrônica e lanternas.
Quando a atmosfera é IPVS (risco imediato à vida ou à saúde), a norma só permite acesso com máscara autônoma de demanda com pressão positiva ou respirador de linha de ar comprimido com cilindro auxiliar para escape (item 33.5.17.2). Veja as opções de proteção respiratória.
Equipamentos de resgate em espaço confinado
A NR 33 não nomeia tripé, guincho, polias ou corda. Ela pede um sistema que reduza o tempo de suspensão inerte e que o vigia consiga operar. Para entrada pela parte de cima (poços, tanques, silos, bocas de visita), o conjunto usado no mercado é o seguinte:
| Equipamento | Para que serve |
|---|---|
| Tripé de resgate | Ancoragem sobre a boca de entrada, para suspender e içar pessoas e equipamentos |
| Guincho ou sistema de polias | Içamento e descida controlados, operados pelo vigia do lado de fora |
| Cinto paraquedista | Sustenta o trabalhador na suspensão. O ponto de ancoragem para içamento deve seguir o manual do fabricante do cinto |
| Trava-quedas e corda | Ligam o trabalhador ao sistema e limitam a queda |
| Mosquetões | Conectam cinto, corda, polias e tripé |
Fonte: Conjunto de resgate descrito em fichas técnicas de concessionária de energia (e-redes, Portugal) e no Guia Técnico da NR 33 (MTE, 2013).
O Guia Técnico do MTE diz que escadas e tripés ligados a cinturão reduzem o tempo para a equipe acessar o local. Também aponta que tripés podem ser inviáveis em aberturas muito grandes e que, em aberturas menores que 60 cm, devem-se usar sistemas portáteis de fácil ajuste.
Como escolher o tripé
Antes de alugar ou comprar, confira três dados do espaço e do equipamento:
- Abertura de entrada: o tripé precisa abrir e apoiar com folga ao redor da boca. Em aberturas pequenas ou irregulares, avalie um sistema portátil.
- Profundidade: define o comprimento de corda necessário e a altura útil do tripé.
- Carga de trabalho: a capacidade informada na ficha deve cobrir o peso da pessoa e do equipamento que ela leva.
Na Ledger, o Kit Tripé de Resgate Ledger reúne tripé, cinto paraquedista com ponto dorsal, corda de resgate, trava-quedas, duas polias duplas e quatro mosquetões. O Kit Polia 4x1 com Corda complementa o sistema. Os itens também saem avulsos, como o Tripé de Resgate Toro e o Guincho Agile. Veja toda a linha em equipamentos de resgate.
Simulado de resgate: como fazer
A norma pede simulado anual que contemple os cenários de acidente identificados no gerenciamento de riscos. Na prática, vale seguir estas orientações:
- Simule o cenário real do espaço: o mesmo acesso, a mesma profundidade e os mesmos equipamentos que serão usados no trabalho.
- Meça o tempo entre o alarme e a vítima fora do espaço e compare com o tempo de resposta do plano.
- Registre o simulado em foto ou vídeo, como recomenda o Guia Técnico do MTE, e corrija o que falhou.
- Revise o plano sempre que mudar o espaço, a equipe ou os equipamentos.
Equipamento de resgate também precisa de inspeção. Confira cinto, corda, trava-quedas e mosquetões antes de cada uso e siga o manual do fabricante para descarte.
Alugar ou comprar equipamento de resgate
Para serviços pontuais, o aluguel evita imobilizar capital em equipamento que fica parado entre um serviço e outro. Para uso contínuo, a compra costuma fazer mais sentido. A Ledger fica em Guarulhos/SP, aluga e vende, e entrega em todo o Brasil. A locação é sem operador: a equipe do cliente monta e opera o sistema. Para saber preço e disponibilidade, peça um orçamento com a profundidade, a abertura e o número de pessoas do serviço. Para comparar as duas opções, veja aluguel ou compra de equipamentos.
Perguntas frequentes
Quem faz o resgate em espaço confinado?
A equipe de emergência e salvamento designada no plano de resgate, que pode ser interna ou externa. O vigia aciona essa equipe e opera os movimentadores de pessoas, mas não entra no espaço.
Com que frequência deve ser feito o simulado de resgate?
Pelo menos uma vez por ano (item 33.3.6 da NR 33), contemplando os cenários de acidente do espaço. A capacitação da equipe de resgate é reciclada a cada 2 anos.
Quais equipamentos são necessários para resgate em espaço confinado?
A NR 33 não lista marcas nem modelos. Na entrada vertical, o conjunto usual é tripé, guincho ou sistema de polias, cinto paraquedista, corda, trava-quedas e mosquetões, além de proteção respiratória adequada para a equipe de resgate.
O vigia pode entrar para salvar o trabalhador?
Não. O vigia fica fora, junto à entrada, sem outras tarefas. Ele aciona a equipe de emergência e opera o sistema de içamento, mas não entra.
Quanto tempo dura o curso da equipe de resgate?
A capacitação inicial é de 24 ou 32 horas, conforme o plano de emergência e o nível profissional do resgatista. A reciclagem é bianual (a cada 2 anos), no mesmo formato de 24 ou 32 horas.
Quem elabora o plano de resgate?
O responsável técnico da organização que realiza o trabalho, articulado com o plano de emergência de quem possui o espaço confinado.





